Duas unidades hospitalares responderam por praticamente metade de todas as internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registradas no Acre no primeiro semestre de 2026. Os dados constam do boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), divulgado nesta sexta-feira (3), referente às semanas epidemiológicas 01 a 25.
O Hospital Infantil Iolanda Costa e Silva, em Rio Branco, aparece como o epicentro da crise, com 462 internações. Em seguida está o Hospital Regional do Juruá Irmã Nair, em Cruzeiro do Sul, com 451 casos. Juntas, as duas unidades somam 913 dos 1.770 casos notificados no estado no período.
O boletim aponta que a pressão hospitalar se concentrou na rede materno-infantil e nas referências regionais do interior. O Hospital Geral de Clínicas de Rio Branco aparece na terceira posição, com 202 internações, seguido pela Unidade Mista de Marechal Thaumaturgo, com 109, e pela Fundhacre, com 103.
A concentração no Hospital Regional do Juruá tem relação direta com a baixa cobertura vacinal na regional, segundo o documento. A regional do Juruá tem a menor cobertura de influenza entre idosos do estado, com média de 21,01%. Municípios como Rodrigues Alves, com 11,94%, e Porto Walter, com 17,39%, registram as taxas mais baixas. O polo de Cruzeiro do Sul vacinou apenas 34,09% das crianças.
Na regional do Baixo Acre, a cobertura insuficiente na capital e o colapso vacinal de municípios limítrofes ajudam a explicar a sobrecarga no Hospital Infantil. Rio Branco atingiu 40,50% de cobertura em crianças e 44,65% em idosos. Bujari vacinou apenas 8,28% dos idosos e 20,87% das crianças, o que gera um fluxo migratório de pacientes que sobrecarrega a unidade pediátrica da capital.