Rio Branco recebeu, nesta quarta-feira (1º), a terceira edição do Conexões Produtivas – Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia. O evento, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em conjunto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), reuniu empresários, representantes do setor produtivo e instituições parceiras no auditório do Sebrae Acre.
O ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, afirmou que o acordo com a União Europeia “estabelece que haverá sempre preferência para produtos que tenham sustentabilidade” e que “toda a indústria associada à bioeconomia, que é pujante toda na Amazônia Legal, terá acesso e acesso privilegiado na comunidade europeia”. Segundo o ministro, o estado vive um momento histórico no comércio exterior. “Nós nunca exportamos tanto quanto exportamos nesse ano, por exemplo, e mesmo no ano passado.” Ele acrescentou que as exportações acreanas já somam cerca de 50 milhões de dólares neste ano, “3,9% superior ao mesmo período do ano passado”.
Márcio Elias tratou também das negociações tarifárias em curso com os Estados Unidos, até 15 de julho, e defendeu que a mesa de discussão permaneça restrita a temas comerciais e econômicos, mencionando disputas ideológicas que acontecem de ambos os lados.
Sobre o acordo com a União Europeia, o ministro detalhou que 96% dos produtos brasileiros terão tarifa zero, o que não aconteceria com de imediato com os produtos brasileiros, com cronograma de desgravação de até 15 anos para alguns itens. Ele mencionou ainda 543 produtos já isentos de tarifa desde 1º de maio.
Ao ser questionado sobre a burocracia nas negociações em exportações com o país vizinho, o Peru, ele disse que a articulação tem que ser feita constantemente e diz que o Brasil tem se esforçado nesta questão, também acrescentou que as reclamações devem ser encaminhadas ao ministério ou à Apex para tratativas com a contraparte peruana.
Sebrae aponta desafios logísticos e culturais na Europa
O gerente de Assessoria Internacional do Sebrae Nacional, Vinícius Lages, classificou o momento como “uma janela de oportunidades sem precedentes, depois de anos de negociação”. Segundo ele, “o Brasil está hoje no miolo das demandas de ativos mais estratégicos que o mundo tem, que é a questões de energia, bioinsumos, alimentos, minerais raros, e o Acre está no coração dessa oferta potencial”.
Lages ressaltou que a Europa reúne 27 países com diferenças culturais e logísticas entre si. “Qual é a estratégia competitiva? A Europa são 27 países, mas tem muita diferença entre eles, culturais, tem diferenças logísticas.” Ele citou alimentos, bioinsumos e biotecnologia como vocações da região. “O Acre tem já competência, várias empresas aqui já demonstram que podem transformar a biodiversidade em valor agregado, em cosméticos, em fármacos, em alimentos funcionais.” O representante do Sebrae anunciou oficinas voltadas à preparação dos empresários e afirmou, “tenho absoluta convicção que os empreendedores acreanos conseguirão alcançar essas oportunidades que são oferecidas pelo acordo.”
Indústria frigorífica amplia habilitações para exportação
O empresário Murilo Leite afirmou que a indústria frigorífica do Acre vem se preparando desde 2023.“Desde que o Jorge [Viana] assumiu a APEX em 2023, ele viu que o estado do Acre pouco exportava e ele viu um grande potencial nas proteínas, suínas e bovinas.” Segundo Leite, o número de países habilitados a receber carne acreana saltou de cinco para 18. “Hoje além do Peru, Bolívia, nós temos habilitações para a Indonésia, Singapura, Canadá, República Dominicana, Filipinas, dentre outras.”
Ele afirmou ainda que as empresas do setor investiram mais de 150 milhões de reais para atender às exigências dos novos mercados. “São mercados exigentes, que nesses dois anos as indústrias foram investindo mais de 150 milhões de reais.” Leite concluiu, “o estado do Acre tá preparado pra essa grande oportunidade que vem pela frente.”
Apex registra crescimento nas exportações acreanas
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou a evolução das exportações do estado. “Lá em 2022 o Acre exportava menos de 50 milhões e agora, ano passado exportou 100 milhões e este ano já exportou 54 milhões de dólares.” Segundo ele, o mercado europeu tem buscado cada vez mais produtos da sociobiodiversidade acreana. “Os europeus querem cada vez mais esses produtos da sociobiodiversidade, os produtos da floresta, é o açaí, é a castanha, são as farinhas […], os óleos essenciais, é o café que a gente tem aqui, é o cacau.”
Müller atribuiu os resultados ao trabalho do governo federal e reforçou o compromisso da Apex com o estado.“Nós estamos aqui para trabalhar pelo Acre. Já foi feito muito na exportação, mas nós achamos que o Acre merece ainda mais.”
Jorge Viana defende infraestrutura e novas agendas para o setor
Segundo Jorge Viana, o encontro representa a continuidade de um trabalho iniciado anos atrás para criar condições de infraestrutura e fortalecer as cadeias produtivas do Acre voltadas à exportação. “O que a gente está fazendo é o seguinte, é dar sequência a um sonho lá de trás, fazer a infraestrutura para o Acre exportar, ter apoiado as cadeias produtivas. Só que agora o Brasil está na moda. O Brasil é a possibilidade do mundo se alimentar com sustentabilidade, do mundo ter um parceiro comercial honesto”, declarou.
O ex-presidente da Apex também destacou o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, classificando-o como o maior acordo comercial da história. Segundo ele, a abertura de mercados criará novas oportunidades para as empresas brasileiras.
“O Brasil faz o maior acordo comercial da história, porque o Brasil que liderou, nós ajudamos como Apex, o presidente se envolveu pessoalmente entre Mercosul e União Europeia. O PIB do Mercosul e União Europeia é de 22 trilhões de dólares. O da China é de 19 trilhões de dólares, dos Estados Unidos 29. Só que isso é de mercado livre, livre comércio. Significa que quem for exportar para a União Europeia vai ter tarifa de imposto zero. Por isso que eu estou tão empenhado”, ressaltou.
Apesar das dificuldades enfrentadas pelo estado em diferentes áreas, Jorge Viana avaliou que o desempenho do Acre no comércio exterior é positivo e anunciou novas agendas voltadas ao fortalecimento do setor. “O Acre está indo mal em muitas áreas. Muito mal cuidado nos últimos anos, mas está indo muito bem na área do comércio exterior. E no próximo mês, eu estou convidando o ministro da Agricultura e Pecuária e o chefe da Receita Federal, Barreirinho, para vir aqui no Acre, para destravar mais ainda a parte de alfândega e falar do setor do agronegócio, da agropecuária, que também está indo bem”, disse.
Viana também citou resultados das exportações acreanas, destacando o mercado peruano e a expectativa de crescimento das vendas do setor frigorífico. “No Peru, 40% da carne consumida no Peru hoje sai da Dom Porquito, a carne suína. Os frigoríficos do Acre vão exportar esse ano mais de 30 milhões de dólares ao agronegócio e é fruto de um trabalho que nós fizemos na Apex e o presidente Lula fez com o ministro Fávaro na época”, afirmou.