Cruzeiro do Sul, Acre 20 de junho de 2026 13:05

Surto na Bolívia e baixa cobertura vacinal acendem alerta para sarampo no Acre

O Acre não registra casos confirmados de sarampo desde o ano 2000, mas a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) reforçou o alerta para a vigilância e a vacinação diante do avanço da doença em países das Américas e do aumento do risco de reintrodução do vírus no Brasil. As informações constam no Boletim Epidemiológico nº 01/2026 sobre sarampo divulgado pela pasta.

Segundo o documento, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) classificou a Região das Américas como de alto risco para o sarampo devido à circulação do vírus a partir de casos importados e à baixa cobertura vacinal em diversos países. Até a semana epidemiológica 20 de 2026, foram confirmados 20.521 casos e 25 mortes por sarampo nas Américas. Os maiores registros ocorreram no México (10.920 casos), Guatemala (6.209), Estados Unidos (1.952), Canadá (1.018), Peru (301) e Bolívia (70).

No Brasil, o cenário permanece sob monitoramento. Em 2025, foram confirmados 38 casos da doença em diferentes estados. O boletim destaca um surto ocorrido no Tocantins, com 25 casos confirmados, após a introdução do vírus por uma família procedente da Bolívia. Já em 2026, até a semana epidemiológica 14, o país havia confirmado apenas dois casos: um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro, ambos em pessoas sem registro de vacinação.

No Acre, os últimos casos confirmados ocorreram em 2000, quando foram registrados 11 casos distribuídos entre os municípios de Acrelândia, Mâncio Lima, Plácido de Castro e Rio Branco. Desde então, não houve confirmação da doença no estado.

Neste ano, entre as semanas epidemiológicas 1 e 20, apenas um caso suspeito foi notificado em Rio Branco. Após investigação e exames laboratoriais, o caso foi descartado. Apesar disso, a Sesacre alerta que os serviços de saúde devem permanecer atentos para identificar rapidamente possíveis ocorrências e adotar medidas de prevenção e controle.

O boletim também chama atenção para a cobertura vacinal. Entre janeiro e março de 2026, apenas Rio Branco e Senador Guiomard atingiram a meta de vacinação para a primeira dose da tríplice viral, sendo que Senador Guiomard alcançou 100% de cobertura. No conjunto do Acre, a cobertura da primeira dose foi de 85,58%, abaixo da meta de 95% recomendada para impedir a circulação do vírus.

A Sesacre reforça que o sarampo é uma doença altamente contagiosa, transmitida por secreções respiratórias, e que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção. A doença pode provocar complicações graves e até a morte, especialmente em crianças menores de um ano e pessoas não imunizadas.