Cruzeiro do Sul, Acre 24 de julho de 2026 12:32

Medo leva mais de 35 mil vítimas a não denunciar crimes cibernéticos no Acre, diz estudo

O medo de retaliação, vergonha ou descrença no sistema de justiça levou cerca de 35.062 vítimas a não denunciar crimes cibernéticos em Rio Branco, segundo estimativa de pesquisa da Universidade Federal do Acre (Ufac) em parceria com outras instituições, divulgada nessa terça-feira (16).

A primeira edição da Pesquisa de Vitimização em Rio Branco, que ouviu 800 pessoas em diversas regiões da capital acreana, verificou a experiência da população em relação à criminalidade e à segurança pública. Um dos recortes trata de fraudes na internet.

Conforme os dados, a subnotificação ficou em 111.7% nos últimos 12 meses. “No caso dos crimes tecnológicos, através do telefone e internet, na medida que você tem essa subnotificação levantada e registra, você ajuda as políticas públicas”, ponderou o professor dr. Ermício Sena, coordenador do estudo.

O levantamento também revela resultados sobre golpes dados pelo telefone celular. Neste recorte, a estimativa é de que 27.091 vítimas deixaram de reportar possíveis casos.

A mesma pesquisa concluiu que, nos últimos 12 meses:

  • 14,3% foram vítimas de fraude pela internet
  • 11,9% sofreram golpe pelo telefone celular
  • 8,3% foram vítimas de fraude em cartão de crédito

Pesquisa de Vitimização

A pesquisa ocorreu através do Grupo de Pesquisa Sujeitos, Ações e Percepções: Estudos em Violência e Conflitualidade, da Ufac, liderado pela professora drª. Marissol Brandt.

Para o estudo, foi contratado o Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), através da Fundação de Apoio e Desenvolvimento Ensino e Pesquisa Universitária no Acre (Fundape), que entrevistou 800 pessoas entre fevereiro e abril deste ano.

Os participantes tinham a partir de 16 anos. O lançamento contou com um seminário no Tribunal de Contas do Acre (TCE-AC). [

A conselheira Naluh Gouveia considerou preocupantes os dados trazidos pela pesquisa e ressaltou que os números representam situações reais enfrentadas pela população.

“Quando um governante diz que a cidade ou estado é seguro, é porque na maioria das vezes, essa cifra está escondida”, criticou.