Cruzeiro do Sul, Acre 9 de junho de 2026 15:13

Queda de ponte causa transtornos e prejuízos a moradores de Sena Madureira

O colapso da ponte Frei Paolino Baldassari, sobre o Rio Iaco, em Sena Madureira, afeta o deslocamento e o sustento de moradores dos dois distritos da cidade. Produtores rurais, pescadores e ribeirinhos relatam prejuízos e dificuldades para atravessar o rio após a interdição da estrutura. O Deracre realiza vistoria no local, e equipes do ac24horas acompanham as ações no município, assim como os relatos de população afetada, nesta terça-feira (9).

Imagens aéreas registradas no local mostram a ponte na mesma situação desde o desabamento. As autoridades orientam a população a não se aproximar da área interditada.

O agricultor Benedito Braga é um dos afetados. Ele relatou que depende da travessia para escoar a produção e visitar familiares do outro lado do rio. Segundo ele, com a interdição, fica difícil a passagem, inclusive de crianças. “Esperamos muito por essa obra, quando a gente quis se acostumar, aconteceu isso”.

Outro morador, que relata tirar seu sustento através das embarcações, afirmou que, agora, o único caminho é alugar um barco, o que gera custo extra. “A gente está obrigado a pagar, porque é daí que a gente ganha o nosso trocadinho”, disse. Ele informou ainda que paga R$ 150 para ser levado ao destino.

Petronilho Araújo, agricultor, também relatou os impactos. Residente de uma aldeia, ele afirmou estar há cerca de dez dias em Sena Madureira sem conseguir retornar para casa. Sua canoa foi danificada pelos destroços da ponte, e ele não tem condições financeiras de adquirir outra embarcação. “Eu não tenho condições de comprar outra”, afirmou.

Petronilho disse ainda não ter aposentadoria e morar com a esposa em área rural, sem acesso garantido desde o colapso da estrutura. “O que é que eu posso fazer? Eu posso ficar no prejuízo também, será? Eu espero que algumas pessoas, por favor, me ajudem. Eu não tenho condições de nada, eu sou velho, não sou aposentado”, declarou. Para ele, a maior incerteza é saber quando o acesso pelo rio será restabelecido e quando poderá retornar para casa já que perdeu seu meio de transporte.

Moradores cobram ainda que as autoridades retirem os escombros da ponte do leito do rio, o que impede a navegação na área. “Se a autoridade deixasse, tinha como a gente passar, mas não deixasse chegar perto da ponte”, relatou um dos entrevistados, que sobrevive da pesca e que relata precisar passar para o outro lado do rio.

Foto: Whidy Melo