Cruzeiro do Sul, Acre 27 de maio de 2026 15:18

Ex-seringueiro e vendedor de picolé por 30 anos, Francisco Valente morre em Cruzeiro do Sul

Francisco Valente, 67 anos, conhecido como Original ou Gotoso, morreu na noite de sábado para domingo em sua residência em Cruzeiro do Sul. Por mais de 30 anos, ele foi figura presente na cidade como vendedor de picolé, sendo reconhecido especialmente pelos alunos da Escola São José, onde vendia durante o intervalo por mais de duas décadas.

A história de Francisco era a de um homem simples, construída com trabalho braçal e muita conversa. Antes de se tornar o vendedor mais lembrado pelos ex-alunos da Escola São José, ele havia trabalhado nos seringais, uma experiência que marcou sua visão de mundo e alimentou o vasto repertório de histórias que ele tinha prazer em contar a amigos e conhecidos.

Por mais de 30 anos, o carrinho de picolé de Francisco fez parte da rotina da região. O toque do sino do intervalo era, para muitas crianças, também o sinal de que ele estaria lá. Com o tempo, seu rosto e seu jeito se tornaram parte da memória afetiva de gerações que passaram pela escola.

Nos últimos anos, um acidente que deixou sequelas em uma das mãos, somado ao avanço da idade, fez com que Francisco deixasse as vendas. Passou a viver da aposentadoria, mas não perdeu o que sempre foi sua marca mais forte: a disposição para o diálogo e o gosto pela conversa sobre os rumos do país.

Conhecido também pelo apelido de “Original”, Francisco Valente não fugia de debate político nenhum. Tinha opiniões firmes, defendia seus pontos de vista com entusiasmo e não escondia sua aversão ao PT nem sua admiração pelo Plano Real, que considerava um marco positivo para o Brasil. Em uma roda de conversa, sua voz era sempre uma das mais presentes.

Homem simples e de recursos modestos, Francisco compensava na riqueza das vivências. Quem o conhecia sabia que uma conversa com ele raramente terminava rápido, e raramente terminava sem que algo novo fosse aprendido ou relembrado.