Cruzeiro do Sul, Acre 23 de maio de 2026 16:10

Acre pela Vida completa seis anos com 50 mil atendimentos no estado

Instituído em 2020 pelo governo do Acre para fazer frente aos elevados índices criminais que impactavam o estado à época, o programa estadual Acre pela Vida completou seis anos de vigência com uma mudança em sua matriz operacional. Sob a coordenação da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), a iniciativa consolidou um modelo de governança integrada que reúne as polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), Departamento Estadual de Trânsito (Detran), além de secretarias setoriais e entidades da sociedade civil organizada.

O balanço técnico das atividades desenvolvidas entre janeiro de 2023 e março de 2026 aponta para o amadurecimento institucional do projeto, que migrou de ações assistenciais isoladas para políticas públicas estruturantes de longo prazo. No período recortado, o programa registrou 114 ações integradas de cidadania e prevenção primária, alcançando a marca de aproximadamente 50 mil pessoas atendidas e a distribuição de 40 mil toneladas de insumos alimentares a comunidades em situação de vulnerabilidade social.

A capilaridade do Acre pela Vida estendeu-se por 17 municípios acreanos, cobrindo diferentes regionais do estado. Foram alcançadas populações urbanas, rurais e ribeirinhas nas cidades de Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Sena Madureira, Bujari, Brasiléia, Epitaciolândia, Assis Brasil, Porto Acre, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Acrelândia, Tarauacá, Feijó, Senador Guiomard e Xapuri.

Estrutura do Programa Acre pela Vida

O programa atua por meio de quatro eixos principais de projetos estruturantes, desenhados para atender diferentes faixas etárias e contextos sociais:

Projeto Público-Alvo Foco Principal

Pequenos Brilhantes Alunos do Ensino Fundamental I Formação cidadã, empatia e aproximação com forças de segurança.

SUAT (Adolescente de Triunfo) Adolescentes (Cruzeiro do Sul) Prevenção ao uso de entorpecentes, disciplina e apoio intersetorial.

Florescendo em Paz Comunidades rurais e ribeirinhas Educação ambiental, direitos humanos e cultura de paz em áreas isoladas.

Banco de Alimentos Famílias em vulnerabilidade Combate direto à insegurança alimentar e desnutrição.

Fomento ao esporte e articulação comunitária

No campo da inclusão social voltada a faixas etárias de maior vulnerabilidade ao aliciamento de organizações criminosas, o programa financia e apoia 40 iniciativas esportivas contínuas, englobando modalidades como futebol, capoeira e artes marciais. A coordenadora do Acre pela Vida, Fátima Paiva, pontua que o foco na infância e juventude foi a resposta encontrada pela Sejusp para reverter indicadores criminais. “Nós vemos que os jovens estão envolvidos nas atividades e permanecem nos projetos sociais. O esporte e a música têm um potencial transformador imenso”, avalia Paiva.

O secretário de Segurança Pública, José Américo Gaia, corrobora a análise técnica ao afirmar que a estratégia descentralizada aproxima os aparatos de repressão e proteção do cidadão comum. “Temos conseguido ampliar o acesso à cidadania ao mesmo tempo em que trabalhamos na prevenção à criminalidade”, diz o gestor.

A governadora Mailza Assis destacou que o programa reflete um compromisso governamental contínuo com as garantias fundamentais da população. “Ao completar seis anos, o programa mostra resultados importantes por meio de ações integradas que unem prevenção, inclusão social e oportunidades para a nossa população, especialmente para as crianças e os jovens. Mais do que números, estamos falando de famílias acolhidas e vidas transformadas”, afirmou a chefe do Executivo.

Histórias de multiplicação social nos bairros

O modelo de prevenção do programa estimula a formação de lideranças locais. Um dos reflexos práticos dessa política ocorre no bairro Arueira, em Rio Branco, onde a moradora Adryelle da Silva coordena um projeto voluntário de recreação que atende 150 crianças em uma quadra poliesportiva. Adryelle, que na infância integrou o programa Guarda Mirim da Polícia Militar, buscou o suporte logístico do Acre pela Vida para estruturar escolinhas de vôlei, futebol e jogos de tabuleiro na comunidade.

O programa foi um divisor de águas pra minha vida porque tirava os jovens das ruas. Sabendo o quanto fui ajudada pela Segurança, decidi buscar ajuda do Acre pela Vida, que passou a me apoiar nesse projeto com materiais esportivos e incluindo as crianças em programações”, relata Adryelle.

O impacto da ação comunitária é referendado pelos assistidos da localidade. Gabriel Ashaff, uma das crianças inseridas nas atividades diárias da quadra, destaca o acolhimento recebido no contraturno escolar: “Gosto muito, porque a gente brinca e posso ter amigos”. Ana Elyza, de 12 anos, complementa o relato destacando o senso de coletividade: “Ela representa a união, a família”.

Combate à violência infantil no Maio Laranja

Além dos cronogramas fixos, o Acre pela Vida atua no desdobramento de campanhas nacionais temáticas. Ao longo deste mês, as forças integradas intensificaram as ações do Maio Laranja, iniciativa voltada ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. No âmbito operacional, a Sejusp coordena a Operação Caminhos Seguros, que engloba frentes de conscientização escolar e repressão qualificada a crimes de violência sexual.

No último dia 14 de maio, a secretaria realizou o “Dia D” da operação para apresentar o primeiro balanço consolidado das ações iniciadas no dia 4 do mesmo mês. Os indicadores da força-tarefa computaram o recebimento de 18 denúncias formais, a abertura de investigações contra 16 suspeitos e o atendimento especializado a 72 vítimas menores de idade. A ofensiva policial resultou ainda em duas prisões em flagrante e no confisco de materiais com conteúdo de pornografia infantil de circulação restrita.

Para garantir a continuidade do fluxo de informações e o sigilo de denunciantes, o Estado mantém canais telefônicos integrados ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC). Populares podem reportar violações de direitos humanos pelo Disque 100, episódios de violência doméstica pelo 180, além dos números de inteligência estadual 181 e 197, com funcionamento ininterrupto.