Cruzeiro do Sul, Acre 7 de maio de 2026 19:03

Condenação de Gladson: quem é o plano B do governo para o Senado?

A condenação do ex-governador Gladson Cameli pelo STJ nesta quarta-feira (6), embaralhou o planejamento eleitoral do grupo governista no Acre e obrigou aliados a começarem, ainda que reservadamente, uma discussão sobre quem ocupará o espaço deixado por ele na corrida ao Senado.

Até poucas semanas atrás, o desenho era tratado como fechado: Gladson disputaria uma das vagas ao Senado ao lado de Márcio Bittar, na chapa que deve ser liderada pela governadora Mailza Assis.

Com a condenação e a inelegibilidade do ex-governador, o cenário mudou de forma abrupta.

Gladson Cameli/Foto: Juan Diaz, ContilNet

A coluna ouviu integrantes da base e dirigentes partidários que já trabalham com alternativas. Hoje, o nome mais citado dentro da União Progressista é o do deputado federal Coronel Ulysses. A avaliação é de que ele conseguiria dialogar com parte do eleitorado conservador que orbitava em torno de Gladson e ajudaria o grupo a manter competitividade na disputa.

A movimentação, por enquanto, ocorre sem anúncios públicos. Aliados evitam tratar oficialmente da substituição de Gladson enquanto o caso ainda produz repercussão jurídica e política. A imagem que querem passar é: Gladson é candidato, vai recorrer no STF e confia na Justiça.

Outro nome que passou a circular com mais intensidade é o do deputado Eduardo Velloso, do Solidariedade. Diferentemente de Ulysses, Velloso tem uma relação política mais próxima de Mailza, fator que ganhou peso dentro do grupo após a saída de Gladson do centro da articulação eleitoral. Velloso já anunciou semanas atrás que é pré-candidato ao Senado.

50% do eleitorado sem candidato

Sem candidato

A condenação e a inelegibilidade de Gladson Cameli produziram um efeito imediato no cenário eleitoral: uma fatia expressiva do eleitorado acreano ficou sem candidato ao Senado. Nas pesquisas mais recentes, o ex-governador aparecia liderando com ampla vantagem a disputa. Dentro da própria base governista, a avaliação é de que quase metade dos eleitores que hoje declaravam voto em Gladson entrou em zona de indefinição política. É justamente esse espaço que nomes como Coronel Ulysses e Eduardo Velloso tentam ocupar nos bastidores.

Fragmentação

A saída de Gladson Cameli da disputa ao Senado abriu uma disputa pelo eleitorado da direita acreana e pode acabar favorecendo justamente quem já aparecia consolidado nas pesquisas. Com Coronel Ulysses e Eduardo Velloso tentando ocupar o espaço deixado por Gladson, o voto conservador tende a se dividir. Nesse cenário, ganham força candidaturas que já vinham pontuando bem antes mesmo da condenação do ex-governador, como a de Márcio Bittar, do PL, e a de Mara Rocha, do Novo. Sem um nome natural para substituir Gladson, a tendência é de uma disputa mais pulverizada dentro do mesmo campo político.

Jorge lidera agora

Quem também pode sair fortalecido desse cenário é o ex-governador Jorge Viana, do PT. Único nome do campo progressista que aparece competitivo nas pesquisas mais recentes, Jorge vem ocupando posições de destaque nos levantamentos eleitorais e já figura em segundo lugar em alguns cenários, como na pesquisa do Instituto Veritá. Com a direita dividida entre vários candidatos, a tendência é que ele encontre um ambiente mais favorável para consolidar espaço na disputa pelas duas vagas ao Senado.

Sem Gladson, por exemplo, ele é o nome que lidera as intenções de voto pelo Senado.

Gladson de fora é uma perda significativa para o jogo político

Independentemente de quem venha a ocupar o espaço deixado por Gladson Cameli, a saída dele da disputa ao Senado muda completamente o jogo político no Acre. Gladson liderava com folga todas as pesquisas mais recentes para a corrida ao Senado e aparecia, até aqui, como um dos nomes mais competitivos da eleição de 2026.

Além da força eleitoral, Gladson mantém um capital político difícil de transferir automaticamente para outro candidato. Depois de dois mandatos no governo, consolidou uma relação direta com uma parcela significativa do eleitorado acreano, especialmente no interior do estado, onde conserva índices altos de popularidade. Por isso, a indefinição sobre quem herdará esse espaço abre uma nova dinâmica na disputa e deixa a eleição para o Senado muito mais imprevisível do que era há poucos meses.