Cruzeiro do Sul, Acre 7 de março de 2026 10:46

Liderança indígena denuncia armadilha com arma de fogo dentro da Terra Indígena Campinas-Katukina

Uma liderança indígena do povo Nuke Koí denunciou às autoridades um grave incidente ocorrido dentro da Terra Indígena Campinas-Katukina, no município de Cruzeiro do Sul, que por pouco não resultou na morte de um indígena no último domingo.

Puá Nuke Koí, liderança geral do povo Nuke Koí, relatou que o caso aconteceu por volta das 11h da manhã, na aldeia Katukina. A vítima foi o senhor João Carlos Catoquina, tio da liderança, que havia entrado na floresta para coletar ervas medicinais com o objetivo de tratar um problema de saúde do neto, já que os medicamentos convencionais não estavam surtindo efeito.

Durante o percurso, o indígena acabou caindo em uma armadilha com arma de fogo, que atingiu sua perna, na altura da panturrilha. Segundo Puá, o disparo não chegou a atingir o osso, evitando ferimentos ainda mais graves.

“Ele caiu em cima da armadilha e foi atingido na perna. Graças a Deus não quebrou o osso, mas foi uma situação muito perigosa”, relatou.

Após o ocorrido, o senhor João Carlos foi socorrido inicialmente por uma equipe de saúde indígena e, em seguida, atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sendo encaminhado para atendimento médico em Cruzeiro do Sul.

Ainda de acordo com a liderança, no mesmo dia e na mesma região, outra arma de fogo foi disparada. O tiro não atingiu nenhuma pessoa, mas acabou matando o cachorro de um parente indígena e quase feriu a esposa do cacique, atingindo de raspão sua perna.

Puá Nuke Koí destacou que o uso de armadilhas com armas de fogo não faz parte da cultura do povo Nuke Koí e que os indígenas não utilizam esse tipo de prática nem para caça.

“Nunca foi da nossa cultura colocar armadilha, seja em varadouro, barreiro ou qualquer outro lugar. Isso não foi colocado por indígena. Essa armadilha foi armada por alguém do entorno da terra indígena”, afirmou.

Diante da gravidade da situação, a liderança esteve em Cruzeiro do Sul para comunicar oficialmente o caso às autoridades competentes e solicitar investigação.

“Viemos procurar as autoridades para que isso seja investigado. Estamos buscando apoio da Funai, da Polícia Federal e de outros órgãos responsáveis, porque isso aconteceu dentro do nosso território e coloca em risco a vida do nosso povo”, concluiu.

Jurua24horas