Cruzeiro do Sul, Acre 7 de março de 2026 20:58

Aceno à negociação do tarifaço anima indústria exportadora do Brasil

A ligação telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, realizada na última segunda-feira (6/10), trouxe esperanças para as indústrias exportadoras de café e carne bovina do Brasil. Durante a conversa, o chefe do Executivo brasileiro pediu a revisão das sobretaxas de 40% impostas a produtos brasileiros, além da revogação das sanções contra autoridades.

Depois do primeio aceno oficial entre os dois líderes, na quinta-feira (9/10) o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ligou para o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, iniciando oficialmente as negociações sobre o tarifaço. Durante a conversa, ficou acertado que as equipes de ambos os países terão uma reunião presencial, em Washington, em data ainda não definida.

Vieira e Rubio foram designados por Lula e Trump, respectivamente, para intermediarem as negociações sobre as tarifas aplicadas a produtos brasileiros. Da parte do Brasil, também ficaram responsáveis o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) analisa que a abertura de diálogo entre os dois países representa um passo para reequilibrar o comércio após queda nas exportações.

“Esperamos que o diálogo entre os presidentes abra caminho para negociações que devolvam previsibilidade e permitam preservar e expandir o comércio e os investimentos bilaterais”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham.

Segundo a entidade, as tarifas impostas pelos EUA estão “acentuando o desequilíbrio comercial entre os países”. Levantamento da instituição mostra que, em setembro, as exportações brasileiras caíram 20,3%, com retração de 25,7% nos produtos sujeitos às sobretaxas e crescimento de 12,3% nos itens isentos.

No acumulado de janeiro a setembro, as vendas brasileiras recuaram 0,6%, enquanto as importações de produtos americanos aumentaram 11,8%, elevando o superávit dos EUA para US$ 5,1 bilhões.

Tarifaço

  • As tarifas que elevaram para 50% a alíquota de importação sobre parte das exportações do Brasil foram anunciadas em 30 de julho e entraram em vigor em 6 de agosto.
  • A decisão foi oficializada por meio de uma ordem executiva assinada por Donald Trump.
  • No documento, o governo norte-americano classificou o Brasil como um risco à segurança nacional, justificando a adoção da tarifa mais elevada.
  • A taxação é resultado da aplicação de uma sobretaxa de 40% sobre os atuais 10% já cobrados, dentro do que o governo dos EUA chamou de “ajuste recíproco” das tarifas com seus principais parceiros comerciais.
  • No texto, Trump afirmou que o atual governo brasileiro estaria promovendo perseguições e processos políticos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados, o que, segundo ele, comprometeria os direitos humanos e o Estado de Direito.
  • Desde o anúncio do tarifaço, o governo brasileiro tem tentado negociar a diminuição das taxas com o governo norte-americano. No entanto, as tentativas foram atrapalhadas pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos EUA desde março e é apontado como o articulador principal das retalições ao Brasil.