Cruzeiro do Sul, Acre 17 de março de 2026 03:45

Morador tem casa invadida pela água após desabamento de muro em Cruzeiro do Sul

As fortes chuvas que atingiram Cruzeiro do Sul na noite de terça-feira, 4, resultaram em diversos danos em bairros da cidade. No bairro Alumínio, a força da água fez com que um muro cedesse e desabasse sobre um terreno.

O morador da residência atingida relatou o momento do incidente:

“Eu estava quase dormindo quando ouvi um barulho que estremeceu a casa. Fui ver o que era e a água invadiu toda a casa quando abri a porta. Acionei meu cunhado, que prontamente veio ajudar a tirar a água junto com meus sobrinhos e minha outra cunhada. Ficamos mais de três horas retirando a água com lama durante a noite.”

Para lidar com os estragos, o dono do terreno mobilizou amigos da sua religião, que rapidamente se colocaram à disposição e auxiliaram na remoção do entulho deixado pelo desabamento.

Intervenção do poder público

O secretário municipal de Obras, Carlinhos Alves, esteve no local acompanhado de uma equipe técnica para avaliar os danos e oferecer assistência aos moradores. Ele reconheceu a gravidade da situação e afirmou que providências serão tomadas:

“Desde ontem estamos acompanhando a situação, juntamente com a Defesa Civil e o prefeito. Tivemos queda de duas árvores na Ladeira do Bode, na Copacabana, que foram serradas e retiradas ainda pela manhã. Houve também problemas na Av Joaquim Távora, onde um trecho cedeu em frente à antiga Napolitana, além de outro ponto próximo à Cruzeirense e um deslizamento de terra em um bueiro. Desde cedo estamos mobilizados para solucionar esses casos, e acredito que os reparos nesses locais serão concluídos entre hoje e amanhã.”

Alves ressaltou ainda que, apesar dos transtornos, a limpeza preventiva de canais evitou que algumas áreas enfrentassem alagamentos mais severos.

“A limpeza do canal na região da Copacabana Floresta ajudou a evitar enchentes que normalmente ocorrem até com pequenas chuvas. A mesma coisa aconteceu na Av Mâncio Lima, onde também não houve alagamento. Seguimos monitorando as galerias, que estão limpas, mas sabemos que o nível do rio está subindo, o que pode represar a água e causar pressão nos bueiros, provocando novos problemas.”

Uma equipe de aproximadamente 10 homens foi cedida para o local.

O coordenador da Defesa Civil também esteve presente no local. De acordo ele, a equipe municipal tem trabalhado desde a madrugada para avaliar e minimizar os estragos.

“Estamos desde ontem nessa demanda, com a Secretaria de Obras e a Defesa Civil, acompanhados pelo prefeito e outras secretarias, prestando apoio necessário para reduzir os danos causados pelo temporal. Houve registros de casas alagadas, mas foram enchentes passageiras, que as próprias famílias conseguiram contornar. Já em relação a desbarrancamentos, o caso mais grave foi esse do bairro Alumínio, embora tenham ocorrido outros de menor intensidade.”

Responsabilidade e legislação

O caso traz à tona um problema recorrente em muitas cidades: a falta de infraestrutura adequada para o escoamento de águas pluviais e a ausência de um planejamento urbano eficiente. De acordo com o Código Civil, o possuidor de um terreno inferior é obrigado a receber as águas que escoam de terrenos superiores. No entanto, qualquer obra realizada pelo proprietário do lote superior que agrave essa situação pode gerar responsabilidade civil e até a obrigação de indenização.

Diante disso, torna-se fundamental que o Código de Posturas do município preveja normas claras para a canalização das águas pluviais, evitando prejuízos aos moradores de áreas mais baixas e garantindo maior segurança estrutural na cidade.