O Fórum Econômico Mundial em Davos trouxe um tema importante neste ano, o incentivo aos pequenos negócios. No Brasil, programas em parceria com o Sebrae têm sido fundamentais para o crescimento de micro e pequenos empreendedores. Para entender melhor como esses programas ajudam a transformar ideias e negócios sustentáveis, a gente conversa agora com o André Espinola, que é gerente de estratégia e transformação do Sebrae. André, bom dia para você. Seja muito bem-vindo aqui ao Real Time. Obrigado, Marcelo. Bom dia aí. Obrigado pelo convite. Quais são os principais desafias que os pequenos negócios enfrentam hoje no Brasil? Marcelo, aqui no Sebrae a gente trabalha com três grandes focos. A
gente trabalha com a gestão do negócio, as habilidades e as capacidades que os empreendedores, que as pessoas que estão à frente do negócio, ele tem ou tem que ter para serem mais eficientes, mais sustentáveis. A gente trabalha com a inovação também, com um desafio gigantesco para economia como um todo, para pequenos negócios, não é diferente. E a gente trabalha também com o ambiente de negócios, são três grandes pilares. E o ambiente de negócios aí são as condições externas aos negócios, as pequenas empresas, para que eles tenham também mais facilidade, até porque no Brasil vale frisar sempre que a própria constituição, como seus artigos 170 e 179, exige demanda que os pequenos negócios tenham tratamento diferenciado. Esse é um princípio econômico em economias e desenvolvimento, que a gente, para construir um país menos desigual com desenvolvimento mais pulverizado, com uma classe média mais forte, pequenos negócios são inovação também, um país mais inovador, pequenos negócios são fundamentais, eles são um esteio para isso. Então, resumindo, o ambiente de negócios, as situações de acesso a mercados, desoneração, desburocratização, fomento de políticas públicas, inovação e a gestão do negócio são os três focos mais importantes aqui que o Sebrae desenvolve aí para ajudar empreendedores e empresários. É isso que eu queria te perguntar, então o Sebrae foca nisso.
Essa é a principal estratégia do Sebrae, a principal oferta que ele tem para esse público. Exato, dentro de cada eixo desse, a gente tem uma série de iniciativas para a gestão e para a inovação, a gente fala em atendimento, em chegar na empresa, entrar na empresa, entregar para ela conhecimento, capacitação e a gente faz isso por meio de consultorias, a gente faz isso por meio de eventos, a gente faz isso por meio até de fomento a tecnologia, o Sebrae tem um grande programa chamado CebraeTech pelo qual ele fomenta até 70% de vários tipos de investimento em tecnologia, o Sebrae também fomenta ações de mercado importantes para a pequena empresa, ações de internacionalização, então são vários nichos dentro dessa situação que é muito abrangente na parte de gestão de negócios e inovação, na parte de ambiente de negócio a gente já tem um trabalho muito próximo de prefeituras, de gestores públicos, tanto nas esferas federais que estão a dar uma municipal, várias interações para construir políticas públicas também sustentáveis, não só as leis, o Brasil é muito bom em fazer leis que não saem do papel, então depois que se negocia uma lei e aí se passa todo o esforço de articulação política para se negociar a aprovação de uma lei importante para o segmento, depois tem todo o trabalho, eu falo com o trabalho de SBR, aprovar uma lei é a ponta do SBR e o que está de badágua é o que é o mais difícil e aí vem todo esse trabalho aí que para nós também é muito importante, então tem inúmeras iniciativas aqui dentro de cada uma dessas verticais aí.
Como é que você compara o Brasil com outros países no incentivo a micro e pequenas empresas? Aí eu já não falo só do trabalho do Sebrae, do ambiente de negócios como um todo, dos incentivos como um todo. País desenvolvidos, Marcelo, já focam muito mais na capacitação, no crédito e muito menos em ambiente de negócios, talvez muito menos em inovação também porque eles já são avançados nessas áreas, então assim, as empresas, os empresários, os empreendedores, eles já vêm de uma trilha que vem desde a sua própria formação básica, escolar mesmo, que já vem com vários inputs, construção de várias capacidades, então nesses países mais envolvidos, a gente tem ali Estados Unidos, Europa e tal, isso já é Japão, isso já é muito mais fortalecido e os pequenos negócios tem uma representatividade muito maior na economia desses países, aqui no Brasil pequenos negócios tem 30% do PIB, são 95% das empresas e 30% do PIB, isso dá nota uma desigualdade muito grande ainda, só 1% das exportações em termos de inovação, o Brasil como um todo é um país ainda que deixa muito a desejar, a gente apesar da gente ter um cenário de startups que são pequenas empresas, muito proficul, a gente ainda tem que avançar bastante, já nos países em desenvolvimento próximos do Brasil, a gente vê situações parecidas, então, na mesma medida, parecidas com a nossa, então situações que demandam um fomento mais efetivo na tributação, na desoneração, na desburocratização, como os costumam ser países mais pesados, mais burocráticos é preciso tirar a pequena empresa desse lamaçal burocrático para que ela tenha condições de respirar para que ela tenha mais condições competitivas, coisas que a grande empresa naturalmente já tem pelo tamanho dela, pela escala dela é a capacidade de investimento, ela sente menos esses problemas apesar de sentir também então a gente está muito, nesse contexto, a gente está muito avançado porque aqui no Brasil a gente tem um arcabouço legal muito avançado que é a lei geral da micro e pequena empresa, que tem dentro dela super simples, que tem dentro dela o micro e empreendedor individual, a gente tem políticas públicas muito importantes acontecendo, como por exemplo hoje o Acredito, o desenrola pequenos negócios, tem focos aí importantes compras governamentais, também o uso do poder de compra sendo utilizado para fazer o país avançar, fazer o país inovar, fazer desenvolver fornecedores de grandes cadeias, então o Brasil no contexto de país em desenvolvimento ele é bastante avançado no trato com pequenos negócios, mas a gente ainda tem a gente precisa chegar no patamar de país envolvido, onde a gente possa até mesmo prescindir de certas políticas públicas, porque elas não são mais necessárias porque problemas estruturais da economia do país são equacionados para todo mundo e aí não só as pequenas deixam de precisar de certos apoios, como qualquer empresa ou qualquer empreendedor.
O André, deve haver alguns potenciais empreendedores assistindo a gente agora que conselho você dá para esse 2025, para essa taxa selíquica que a gente está vendo aí que conselho que você dá para quem está pensando neste momento em tirar uma ideia do papel e começar a empreender. Vou dar três conselhos, que primeiro é se prepare, o segundo é se prepare e o terceiro é se prepare mais um pouco. Na verdade é isso, abrir uma empresa no Brasil hoje é fácil, tá? E com a figura do micro empreendedor de vídeo a gente abre uma empresa de casa, online custa nada e você não paga nada de tributação, você paga ali 50 e poucos reais que são a sua previdência social, basicamente é isso. Então já é muito fácil empreender, fácil é isso que eu comentei antes dos nossos marcos circulatórios, mas ao mesmo tempo é difícil tocar uma empresa. Perdão, deixa eu corrigir aqui, não é fácil empreender, é fácil abrir uma empresa mas é difícil tocar uma empresa. Então eu não posso me enganar que eu vou abrir uma empresa rápido ali porque eu tenho uma necessidade de pimenta, porque eu estou com um problema financeiro que a chance de eu me dar mal é exponencializado. Então o preparo para abrir uma empresa, você comentou aí da taxa selíquica, né? Infelizmente isso que eu comentei antes também, o Brasil, o crédito para um empreendedor no Brasil, ele é muito difícil e quando ele consegue é muito caro. Então por isso é importante ter políticas públicas como eu acredita. Você tem ideia, um crédito que sai para uma grande empresa a 10%, 11% para pequena sai a 45%, por cento ao ano de taxa de juros. É um absurdo, é escochante, é um insurto, mas que tipo de investimento no Brasil dá 45% de retorno, então a gente também feliza muito o olhar para a necessidade do crédito se às vezes ele é olhado como um remédio, ele pode se tornar um veneno. Então tem que ser muito analisado.
Então por isso entender bem das suas próprias capacidades pessoais, quais são suas aptidões para tocar um negócio, para abrir um negócio, quais são suas aptidões para fazer esse negócio se desenvolver, para acompanhar um mercado que está mudando completamente, toda hora. Então um mercado que está cada vez mais digital, mais online, você não pode se preocupar só com a sua empresa ali na beira do balcão, você tem que preocupar se ela está na internet, se ela está nas redes sociais, se ela tem WhatsApp, se ela atende bem o cliente que o produto quer entrar, como é que está a concorrência, e lembrando também que eu falo muito que a concorrência não é só do seu nicho. A concorrência é para o nosso dinheiro, o nosso dinheiro de consumidor. Então hoje com a grande luta pela atenção. E aí a gente vive mergulhado em redes sociais, é isso. Eu estou ali, eu quero eventualmente comprar uma roupa, eu vejo um anúncio de um sapato. Eu troco a decisão, eu vejo um anúncio de uma viagem, eu troco a decisão porque o nosso dinheiro assim, felizmente ele é finito, a gente tem que escolher.
E aí é isso, empreender, tocar um negócio não é só se especializar naquele nicho, se especializar no que o cliente quer, precisa e como você vai entregar. Então isso é um desafio diário. Então nem tanto hoje a burocracia atrapalha pequenos negócios, prendedores, tem grandes necessidades, mas a necessidade de todo dia você está se vendo no mercado e vendo como você vai atender melhoradores e necessidades do nicho que você escolheu atender. Isso é fundamental e para isso se abreta aí para te ajudar com tudo que é possível imaginável para você se capacitar e ser cada vez melhor do que você faz e conseguir furar aí ou superar essa concorrência, esse mercado, essa agilidade de tudo que acontece. Por último, também lembrando que no Brasil a questão não é se vai ter uma próxima crise, é quando vai ter. Então são crises externas e internas aí questão de dólar, de juros, de guerra, de eleição, de polarização política de tudo que é possível imaginável além do que o empresário tem que enfrentar todo dia dentro da empresa dele, com os funcionários, com o cliente, com o mercado dele. Então para isso muita capacitação, muita atualização e muito esmero para ele enfrentar essa luta toda. Quem quer empreender não pode ter preguiça. André Espinola, gerente de estratégia e transformação do Sebrae.
Muito obrigado pela sua participação aqui no Real Time.
Obrigado Marcelo, bom dia.
Um abraço.